terça-feira, 26 de agosto de 2014

Fui exaurida pela nostalgia...




Flor esquecida, sentada numa cadeira no jardim do asilo...
Quem sabe algum dia teria a alegria de ver chegar um filho...
Olhava com os olhos rasos d’água as visitas que ali chegavam
Braços que se abraçavam; carinho dos que se encontravam...

O que seriam aquelas marcas no seu rosto, linda flor?
Os anos foram desenhando cada sorriso e cada dor...  
O que seriam estas lembranças açoitando a sua mente?
Rostos que você ama e que sumiram para todo sempre...

A linda flor chorava toda noite e acabou adormecendo...
Naquele cenário de abandono aos poucos foi morrendo!
E a vida a esqueceu, e então as mãos calejadas se uniram...
O adeus foi repleto de solidão; no céu os anjos a acudiram!

A realidade que seguiu em frente e sem piedade continuou...
Ficaram na página do tempo as cantigas de ninar que cantou
Fotografias amareladas do seio oferecido quando amamentou
Gente que tinha o mesmo sangue na veia e a desamparou!

Antes de padecer escreveu uma mensagem com ironia:
O amor que entreguei foi incondicional; repleto de alegria!
O que me deixou mais radiante na vida foi ser mãe um dia...
No final, o mais triste; excluída! Fui exaurida pela nostalgia...

Janete Sales Dany
Licença Creative Commons
O trabalho Fui exaurida pela nostalgia... de Janete Sales Dany está licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0 Internacional.


http://silviamota.ning.com/group/humanismo/forum/topics/fui-exaurida-pela-nostalgia
 Com esta poesia participei na Peapaz
 do Caderno Humanismo n° 3: 
Idoso abandonado

 Clique na imagem para ver a minha participação


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