segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

Teu sangue é o meu viver




Sou a filha do Drácula

Desejo é a energia que me circula...

Ao te ver renasceu a minha gula!

Começarei a te sugar com o meu olhar

Depois abrirei a minha boca...

Não precisa se assustar...

Vou te mostrar os meus dentes

Sou vampira que quer te apreciar!

Se não deixar ficarei doente...

Eu quero só te mordiscar...

Ando vestida com o pó do caixão

É lá que existo; é o meu lar!

Eu me recupero na escuridão

Farei devagar; não precisa se assustar...

Venha ser o meu servo...

Mais um para o meu acervo!

Eu te sugarei aos poucos e não serei rude...

Assim asseguro a minha juventude!

Eu me nutro do vermelho

Sou imperceptível no espelho...

Sou um ser sem calma!

Não tenho alma...

Desafie o meu olhar

Eu vou te hipnotizar

Eu sou uma caçadora e você a caça...

Brindarei a tua vida numa taça!

A tua seiva deslizará pelo canto da minha boca

Gritarei de êxtase até ficar rouca

Vou me fartar da tua existência cálida

A liberdade só virá quando a tua tez ficar pálida

Sentirei o teu fluido alimentando o meu ser





Teu sangue é o meu viver!

Velado pelas minhas trevas poderá ir embora...

A palidez será a tua aurora!

Ainda estarei fria, porém repleta do teu rio...

Vem, complete o meu vazio!

Janete Sales Dany

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T5070666
Código do texto no Recanto das Letras
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domingo, 16 de novembro de 2014

A morte dança comigo...




Estou tão só...
Onde eu errei?
Perdi as pérolas que eu  tanto amei
Meus sentimentos eram tão corretos
Eu agi de modo cordial, eu bem sei!
E o mundo me devolveu a solidão
As estrelas desceram para o chão
Eu piso em cima delas...

Quem vai me salvar?
Quem vai restituir o céu que sempre existiu?
Os meus olhos doem em busca do azul que sumiu...
Quem vai colocar as estrelas de volta no lugar?
Elas magoam os meus pés cansados de pisar...
Quem vai trazer de volta o ar que eu quero respirar?
O meu fôlego está fraco é quer sufocar...
Quem vai devolver a felicidade para o meu olhar?
Os meus olhos estão cansados de chorar...

Janete Sales Dany

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domingo, 9 de novembro de 2014

Eu vou curar a sua dor!


Fêmea impiedosa que seguia por uma longa estrada...
Trazia o ódio nos dedos e dentro do peito o amor desfeito...
Por onde passava destilava um veneno mortal
Raios saiam daquele corpo ampliando a propagação do mal...
No caminho não poupava nem sequer um passarinho...
Ao ver um filhote, se enfurecia e destruía o ninho!
O sol queimava os olhos verdes e os dedos vertiam sangue
Víbora deslizando e empurrando a lama no meio do mangue
De noite procurava alcançar uma vítima qualquer
Não fazia distinção; criança, idoso, homem ou mulher!
As mãos carregadas de vibrações cortantes...
Aos poucos proferia palavras conflitantes...
Quem a ouvia nunca ficava como antes!





Certa noite ao entrar num lugarejo viu uma luz muito forte...
Era um ser iluminado; ela foi de encontro para oferecer a morte...
Ofereceu o único sentimento que conseguiria doar
Ódio, muito ódio vertendo pelo olhar...
O ser de luz abriu os braços em cruz
Deixou o ódio se aproximar
E disse: Eu vou curar a sua dor!
E mostrou as mãos repletas de amor
Palavras fulminantes abrandaram aquele ser cruel...
Que olhou com os olhos rasos d’água para o céu
Aquela fêmea sinistra se entregou
Aceitou o afago que a luz ofertou
Foi a primeira vez que amou...

E isto a libertou!
O mal morreu...
E o bem venceu!

Janete Sales Dany
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09/11/2014 
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quinta-feira, 18 de setembro de 2014

Só há terra e não há caixão!

Enterrei o que foi meu por pouco tempo...
Enterrei a felicidade que se foi com o vento...
O meu corpo ficou gelado ao ver a morte do amor...
Senti entrando no meu peito o punhal feroz da dor!

Queria guardar comigo aquele carinho que saiu de mim...
Queria amamentar e matar a fome, mas o que vi foi o fim...
Seu corpo pequeno sendo agasalhado tão cedo pela terra...
Meu filho lembre-se de mim; você se foi, eu fiquei na guerra!

Vai ficar assim aguardando que a natureza termine o processo...
Quero que um anjo te conduza para o descanso; clamo e peço...
Não tenho forças para continuar te olhando; coração sangrando...
Queria cantar canções de ninar, mas num enterro, é preciso rezar!

Dói ver você assim, mais do que a fome cruel que há dentro de mim...
Não há roupas, e eu escolhi o chão; fiquei rouca ao pedir por compaixão...
Eu queria me despedir com mais perfeição, só há terra e não há caixão!
Molhei o meu corpo magro com lágrimas sem fim; eu era a proteção...

Janete Sales Dany
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domingo, 31 de agosto de 2014

Sou o astro e sou o resto dos restos; sou bipolar...


Sou um ser saturado de luz e de escuridão...
Numa hora sou o sol; noutra a depressão!
Quando sorrio escancaro a boca como louca...
Quando choro esbravejo até a voz ficar rouca!

A minha felicidade é intensa; sou o astro agora...
Posso esfarrapar todas as roupas e jogá-las fora
Compro outras; não importa a minha condição!
Vou vestir verde com rosa; divergir é a diversão...

Sinto algo estranho no parapeito do apartamento
A euforia é grande; a vontade é de ir com o vento...
Sou pássaro que quer voar; neste dia eu sou o ar!
Eu rio alto, estou feliz; eu engulo todas e quero bis...

quinta-feira, 28 de agosto de 2014

O nosso perfume e o amor dilatando...


Chega como quem não quer nada, e me entorpece...
Traz no teu perfume um entusiasmo que umedece...
Usa uma linguagem censurável e a minha tez enrubesce...
Isto apetece! Depois vai embora, como quem diz, esquece!

Como ocultar este “você” que ficou impregnado em mim?
A minha voz declara que é o fim, mas o meu alvo vive no sim...
O olor da tua pele é igual ao meu; o meu olhar só quer o teu...
É dolorido pensar na tua boca; quem sabe beijando outra...

Uma paixão floresceu em mim e queima por dentro...
Vontade de tocar na tua pele e satisfazer o meu intento...
Viajar no teu tronco; numa judiação de amor e te deixar tonto...
Acenda as velas, eu sinto a essência das flores e fantasio as dores!

Quero de novo a tua vinda cálida e teus olhos entrando em mim...
Vou desvanecer de tanto dizer que é isto que eu procuro, sim...
Quando te vejo invento a tua voz no meu ouvido, sussurrando...
Gemidos misturados com o nosso perfume e o amor dilatando...

Sempre me afronta e não me quer, para quê esta provocação?
Quando isto acontece o meu corpo fica clamando pela explosão...
Se eu te segurasse nesta hora iria ver; o nosso rubor iria acontecer...
Deixaria as tuas mãos judiando da minha tentação; eterno querer...

Janete Sales Dany
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http://silviamota.ning.com/group/literatura-sensual-e-erotica/page/literatura-sensual-e-erotica-n-4-perfume-da-paixao
Com este poema participei na Peapaz
do grupo Literatura Sensual e Erótica 

quarta-feira, 27 de agosto de 2014

A ninfa que tem sede de beijo!




Um poeta além de amar as rimas tinha uma obsessão por pinturas

Sempre ia à feira de artesanato e se deliciava com peças admiráveis

Suspirava emocionado ao ver todos aqueles quadros; artes adoráveis!

Era apaixonado por um que trazia o desenho de uma ninfa no mar...

A importância era alta e finalmente juntou o dinheiro para comprar...

Levou aquela obra sublime para casa; na parede do quarto ela ia ficar!



Naquela noite dormiu espionando aquela mulher de seios descobertos...

Sentia algo estranho, os olhos dela pareciam que estavam mais abertos...

O barulho das ondas queria rimar; a boca carnuda o convidava para beijar!



Aquele ser dentro do quadro se movia junto com conchas e estrelas do mar

O movimento era delirante; fechava e abria os olhos, e o poeta quis amar!

Louco de desejo entrou naquele azul e com furor a acariciou até sangrar...



Nunca sentira tanta adrenalina na vida; farto das delícias procurou uma saída...

A noite inteira aquela ninfa o provocava e a cobiçada fuga ele não encontrava...

Uma fêmea que nunca se satisfazia; noite inteira e ainda queria no raiar do dia!



Ele gritou tão alto que acordou; olhou para o quadro que parecia lhe chamar...

Não é que não tinha gostado; foi bom, mas todo aquele exagero que fique no mar!

Colocou o quadro da ninfa na sala; deixou aquele azul desnudo ali a descansar...



Poeta que é poeta precisa poetar; e aquele ser ávido por amor iria atrapalhar...

Os olhos dela às vezes dormiam, outras não o esqueciam, querendo provocar...

Escreveu uma poesia para aquele azul de desejo: A ninfa que tem sede de beijo!

Janete Sales Dany
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 Prêmio que recebi
Com este poema participei na Peapaz do grupo  
Antologia Imagem e Literatura nº 11 Devaneios
Na categoria prosa:

http://silviamota.ning.com/group/antologia-imagem-e-literatura/forum/topics/a-ninfa-que-tem-sede-de-beijo

terça-feira, 26 de agosto de 2014

Fui exaurida pela nostalgia...




Flor esquecida, sentada numa cadeira no jardim do asilo...
Quem sabe algum dia teria a alegria de ver chegar um filho...
Olhava com os olhos rasos d’água as visitas que ali chegavam
Braços que se abraçavam; carinho dos que se encontravam...

O que seriam aquelas marcas no seu rosto, linda flor?
Os anos foram desenhando cada sorriso e cada dor...  
O que seriam estas lembranças açoitando a sua mente?
Rostos que você ama e que sumiram para todo sempre...

A linda flor chorava toda noite e acabou adormecendo...
Naquele cenário de abandono aos poucos foi morrendo!
E a vida a esqueceu, e então as mãos calejadas se uniram...
O adeus foi repleto de solidão; no céu os anjos a acudiram!

A realidade que seguiu em frente e sem piedade continuou...
Ficaram na página do tempo as cantigas de ninar que cantou
Fotografias amareladas do seio oferecido quando amamentou
Gente que tinha o mesmo sangue na veia e a desamparou!

Antes de padecer escreveu uma mensagem com ironia:
O amor que entreguei foi incondicional; repleto de alegria!
O que me deixou mais radiante na vida foi ser mãe um dia...
No final, o mais triste; excluída! Fui exaurida pela nostalgia...

Janete Sales Dany
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O trabalho Fui exaurida pela nostalgia... de Janete Sales Dany está licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0 Internacional.


http://silviamota.ning.com/group/humanismo/forum/topics/fui-exaurida-pela-nostalgia
 Com esta poesia participei na Peapaz
 do Caderno Humanismo n° 3: 
Idoso abandonado

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